Carta da antiga Tenochtitlan, (Cidade do México)
Autor desconhecido
Nurenberg, 1524
Newberry Library, Chicago.


Trecho de uma das cartas de Hernan Cortez, escritas em 1519, para os reis da Espanha, contando a chegada do conquistador na cidade:

"Parti desta cidade no outro dia e a mais légua entrei por uma calçada que vai por meio desta lagoa, até alcançar a grande cidade de Tenochtitlán, que está fundeada no meio da dita lagoa. Esta calçada é tão larga como duas lanças e tão bem trabalhada que podem ir por ela até oito cavalos lado a lado. Ao longo destas duas léguas da dita calçada estão as três cidades. Uma chamada Mesicalsingo, de três mil pessoas, fundeada quase toda dentro da lagoa; outra, chamada Niciaca, de três mil habitantes, e mais Huchilohuchico, de cinco mil, ambas situadas na margem da lagoa, mas com muitas casas dentro d’água. Todas com muito boas casas e torres, em especial as dos senhores principais, assim como as mesquitas e oratórios onde tem seus ídolos." 

Historica Cartographica Brasilis in Biblioteca Nacional: tesouros dos séculos XV ao XX


A exposição "Historica Cartographica Brasilis in Biblioteca Nacional" propõe ao visitante um panorama do processo histórico da cartografia no Brasil.
A exposição mostra, em linhas gerais, a evolução da cartografia do Ocidente, começando com a Antiguidade Clássica, a Geografia de Estrabão – geógrafo e historiador grego; estendendo-se pela Idade Média e chegando ao Renascimento, período em que a ciência cartográfica experimenta um grande impulso, decorrente da invenção da imprensa, das descobertas ultramarinas e da redescoberta da Geografia de Ptolomeu.
A partir do século XVI, inicia-se a cartografia histórica do Brasil, com as primeiras representações que fazem parte dos planisférios ou mapas das Américas nas edições da Geografia de Ptolomeu e obras de viajantes. Do final desse ao terceiro quarto do século XVII, surgem os mapas que exibem a ampliação do território e a defesa do litoral contra as investidas dos franceses, holandeses e ingleses.
A exposição traz também cartas, do final do século XVII e do início do XX, que mostram a expansão para o interior do Brasil; as demarcações de fronteiras em decorrência dos tratados; a defesa do território e levantamentos hidrográficos e geográficos do país pelos astrônomos, geógrafos e engenheiros militares.


Fonte: https://www.bn.br/acontece-bn/agenda/2015/07/historica-cartographica-brasilis-biblioteca-nacional

Especialistas de todo o mundo visitam exposição Historica Cartographica Brasilis


Cerca de 60 participantes da pré-conferência Symposium on Atlases, Topography and the History of Cartography [em tradução livre, Simpósio sobre Atlas, Topografia e a História da Cartografia], que aconteceu de 19 a 21 de agosto no Rio de Janeiro, participaram da visita à exposição Historica Cartographica Brasilis, onde foram recebidos pela chefe da Divisão de Cartografia da Biblioteca Nacional, Maria Dulce de Faria. Segundo ela, a data da mostra foi definida de forma a coincidir com o evento. “Escolhemos a dedo as 40 peças mais belas e significativas do nosso acervo para mostrar aos visitantes do mundo todo”, contou Dulce. A pré-conferência antecede o 27th International Cartographic Conference (ICC) [em tradução livre, 27ª Conferência Internacional de Cartografia], realizada pela primeira vez no Brasil, de 23 a 28 de agosto.

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Participantes do evento internacional Pre Conference Symposium on Atlases, Topography and the History of Cartography posam na escadaria situada na entrada principal da Biblioteca Nacional.
Participantes do evento internacional Pre Conference Symposium on Atlases, Topography and the History of Cartography posam na escadaria situada na entrada principal da Biblioteca Nacional.
Os membros do comitê organizador do simpósio Cláudio João Barreto dos Santos e Ana Cristina Rocha Resende conduziram o grupo pela primeira visita técnica do dia, que depois seria seguida por uma ida ao Museu Naval. Para Ana Cristina, funcionária da Diretoria de Geociências do IBGE, o que mais chamou a atenção na exposição Historica Cartographica Brasilis in Biblioteca Nacional foi a qualidade do acervo e o ótimo estado de conservação das peças. Já Cláudio João, que além de funcionário aposentado do IBGE também é professor adjunto da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), se impressionou com a primeira edição da Geographia de Ptolomeu, de 1486, que mostra a primeira projeção cartográfica: “dei aulas sobre isso toda a minha vida e nunca tinha visto essa peça, nem tinha ideia que ela fazia parte do acervo da Biblioteca. Estou impressionado com a qualidade da coleção”, disse ele.
Os visitantes estrangeiros também elogiaram a mostra. O organizador da pré-conferência, membro da Atlas Comission da ICC e representante da Academia Austríaca de Ciências, Peter Jordan, gostou da oportunidade de ver mapas antigos da América do Sul, especialmente do período colonial. “Também achei interessante observar os nomes antigos das localidades, já que uma das minhas especialidades é a toponímia”, explicou. Para o professor da Universidade do Texas Imre Demhardt, que ministra a disciplina História da Cartografia, o destaque da coleção foram os mapas da região amazônica do século XVIII, baseados parcialmente em relatos orais.

Fonte: https://www.bn.br/noticia/2015/08/especialistas-todo-mundo-visitam-exposicao-historica


Livro conta surgimento do mapa da América do Sul que definiu o território do país

Após tempo de pesquisa nos arquivos da Biblioteca Nacional da França, historiadora Júnia Furtado autografa 'O mapa que inventou o Brasil'

Ana Clara Brant - EM Cultura
Publicação:05/12/2013 07:40Atualização:05/12/2013 07:53



O cartógrafo Jean-Baptiste Bourguignon d%u2019Anville em seu gabinete (Fotos: Versal Editores/reprodução)
O cartógrafo Jean-Baptiste Bourguignon D'Anville em seu gabinete

“Que vagueie quem quiser vaguear. Que veja a Inglaterra, a Hungria, a França e a Espanha. Eu me contento em viver em minha terra natal (…) E isso é bastante para mim. Sem jamais pagar por um estalajadeiro (…). Sem jamais fazer juras quando os céus se iluminam de raios, irei saltando sobre todos os mares. Mais seguro a bordo de meus mapas que a bordo de navios.” Ariosto, 'Sátira 3'.

Trecho acima é a epígrafe de uma publicação que, mais do que contar uma história, reúne informações preciosas, documentos importantes, belas imagens e não deixa de ser obra de arte. 

'O mapa que inventou o Brasil', de Júnia Ferreira Furtado, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), será lançado hoje em BH. Trata-se de uma pesquisa que se iniciou há uma década, envolvendo Brasil, Portugal, França, Alemanha e Estados Unidos, e resultou num trabalho completo sobre a cartografia. Aborda-se, principalmente, o processo de invenção do território brasileiro. 

O livro ganhou o Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares, iniciativa da Organização Odebrecht, que completa 10 anos de apoio à pesquisa histórica e à produção editorial brasileira. As 458 páginas trazem um rico acervo de ilustrações cartográficas criadas entre 1697 e 1782.

Júnia estudou a parceria intelectual de dom Luís da Cunha, representante diplomático de Portugal na França, com o cartógrafo francês Jean-Baptiste Bourguignon d'Anville para elaborar a 'Carte de l’Amérique méridionale'. Esse mapa embasava o projeto geopolítico advogado por Portugal para suas possessões na América e deu ao território brasileiro configurações muito próximas das atuais.

PARIS 

A historiadora passou um ano debruçada sobre os mapas de D’Anville na Biblioteca Nacional da França, em Paris, onde se encontra a coleção completa do geógrafo. De acordo com Júnia, para elaborar esse mapa final da América do Sul – a Carta da América Meridional –, o francês chegou a usar 600 mapas diferentes. 

A elaboração do documento teve início em 1720 e se desdobrou ao longo de três décadas. Confinado em seu escritório, Jean-Baptiste d’Anville era capaz de produzir mapas de grandes extensões da terra, como países, continentes e planisférios, a partir da consolidação de diversas fontes. Ele deixou cerca de 211 mapas, manuscritos e impressos, além de 23 obras de natureza geográfica. 

“D’Anville nunca saiu de seu gabinete, o processo da época era assim. Ele juntava vários mapas para poder chegar a um resultado final. Muitas vezes, esses documentos eram até conflitantes. Uns são mais confiáveis porque neles foram utilizados instrumentos mais precisos; em outros ele consegue ter o aval das autoridades locais, então tem certeza de que pode utilizá-los. É como se fosse um quebra-cabeças bem complexo”, revela Júnia Furtado.

A carta original, que foi desenhada a lápis e tem dois metros de altura, ficou pronta em 1748. Até 1779, foram produzidas cinco edições diferentes. No livro da historiadora mineira há uma reprodução da Carte de l’Amérique méridionale para que o leitor possa compreender melhor a história e acompanhar como se deram os fatos. “Esse mapa é fundamental para que o leitor possa abri-lo e, à medida que for lendo, entenda como as coisas ocorreram. O mapa é o tema do livro. Não fazia sentido ele ser mera ilustração. O adendo é fundamental, serve para consulta”, explica.

A historiadora destaca a importância do Prêmio Odebrecht, pois graças a ele foi possível publicar um livro completo e caprichado. “Não teríamos como bancar essa pesquisa, bem como o acesso e a reprodução de todas as imagens que ajudam a entender o contexto da época. Foi necessário toda uma negociação com as instituições. Sem o prêmio, o projeto não se concretizaria dessa maneira”, conclui.

Edição de luxo

Pesando 4,2 quilos, a edição luxuosa e com projeto gráfico elaborado é ilustrada com imagens dos séculos 16 a 19. Medindo 26cm x 32cm, é protegida por invólucro especial. Chama a atenção sua bela capa metalizada. Júnia Furtado explica que ela teve inspiração histórica: antigamente, mapas eram feitos em papel e posteriormente impressos em metal. “A ideia era fazer  referência a isso: ao processo de produção cartográfica da época”, observa.

O MAPA QUE INVENTOU O BRASIL
De Júnia Ferreira Furtado Versal Editores, 458 páginas, R$ 249
>> Lançamento quinta-feira, das 19h às 22h, na Livraria Mineiriana (Rua Paraíba, 1.419, Savassi). Informações: (31) 3223-8092.


O geólogo Antônio Gilberto Costa, coordenador do Centro de Referência em Cartografia Histórica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é presença confirmada no fHist 2013. Também diretor do Museu de História Natural e do Jardim Botânico da universidade, ele participa da mesa "Cartografia e História: o mapa da mina", que será realizada em 21 de setembro, a partir das 9 horas. Em entrevista à equipe de comunicação do fHist, Antônio Gilberto Costa antecipa os tópicos centrais de sua apresentação no festival e fala sobre a importância da cartografia para o estudo e a pesquisa histórica.




Em entrevista à equipe de comunicação do fHist, ele antecipa os tópicos centrais de sua apresentação no festival e fala sobre a importância da cartografia para o estudo e a pesquisa histórica.

fHist - Quais tópicos centrais sobre a relação entre cartografia e história são importantes destacar e que o senhor abordará na mesa "Cartografia e História: O mapa da mina?"

A.G.C - A história anda registrada nos mapas (evolução de técnicas, ocupação de territórios etc.). Pretendo abordar aspectos sobre a evolução das técnicas e sobre os 300 anos de representação do território mineiro.

fHist - Em que contexto e porque o senhor se interessou pelos estudos sobre cartografia?

A.G.C - De meados até o final dos anos 1990, quando me ocupei da reforma da Casa da Glória (edificação histórica de Diamantina, que sedia o Instituto de Geociências da UFMG) e de questões relacionadas com a história do local e dos garimpos, procurei por informações e verifiquei a existência de um grande acervo de documentos cartográficos sobre Minas e de outras regiões ainda sem nenhuma pesquisa.

fHist - Como o senhor avalia o panorama da pesquisa brasileira sobre cartografia? Neste sentido, como o Brasil se posiciona em relação ao conhecimento sobre o tema produzido no exterior? O que podemos avançar?

A.G.C - A pesquisa ou a utilização da Cartografia História ainda é muito incipiente no Brasil. São poucos os pesquisadores envolvidos com o tema e, menor ainda é o envolvimento com cartografias de outras partes do mundo. E só verificar a nossa participação em eventos internacionais. Entendo que isso é decorrente da pouca ou nenhuma presença do tema no diferentes níveis de ensino no Brasil.

Leia entrevista completa acessando: www.festivaldehistoria.com.br 



Seminário do modo o mais fácil e o mais exacto de fazer as cartas geográficas

Seminário na UnB reune pesquisadores sobre a obra do cartógrafo Manuel de Azevedo Fortes


PROGRAMAÇÃO

Dia 6 de maio: Auditório da Biblioteca Central
Palestra de abertura, às 14h00
Prof. Dr. Jorge Cintra (USP): História das medições de longitude no Brasil


Comunicações, às 15h00
Fabiana Leo,  Carmem Rodrigues, Allan Kato e Leon Azevedo

Palestra de encerramento, às 17h00
Prof. Dr. José Flávio Castro (PUC-Minas): Georreferenciamento e vetorização de mapas do século XVIII



Dia 7 de maio:
A partir das 8h00 na área externa da Biblioteca Central realização da Expedição de mapeamento de parte do campus da UnB usando as técnicas da obra de Manuel de Azevedo Fortes

Palestras de abertura, às 13h40: Auditório da Biblioteca Central
Prof. Dr. Carlos Ziller (UFRJ) e Prof. Levy Pereira

Comunicações, às 15h40
Gustavo Borges de Almeida, Catarina Agudo e Leonardo Barleta

Palestra de encerramento, às 17h30
Junia Furtado (UFMG): "O mapa que inventou o Brasil"


Sobre

Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
História da Cartografia: o mundo em imagens. Blog criado para ser um espaço de divulgação de pesquisas, eventos e curiosidades sobre a História da Cartografia no Brasil e no mundo. A ideia surgiu ao longo do desenvolvimento da pesquisa de mestrado, em história na UFMG.

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